Demonstre seu Afeto

Existe uma pressão para separar mãe e filho, o quanto antes. Um bebê precisa, rapidamente, se tornar emocionalmente independente.

Dar colo, fazer carinho, balançar, aconchegar, são coisas que estragam.

“Olha menina, você está acostumando mal esse bebê. Assim ele só vai querer saber de colo!”

Spoiler: tenho em casa um de 1.6 e não sei o que acontece. Ele se recusa a ser carregado e não é de hoje!

Pois bem, reza a lenda que não podemos “acostumar mal” um serzinho que nunca sentiu frio, calor, fome e que, provavelmente, ainda nem sabe que nasceu.

Por outro lado, “acostumar bem” é ensinar um recém-nascido a se virar sozinho, pois a vida é dura e quanto antes aprendemos essa lição, melhor. Afinal, é importante saber que as nossas emoções são nossas e de mais ninguém.

Estranho pensar que essa crença perdura por gerações e gerações, apesar de ir na contramão de tudo o que a ciência diz.

Abrace, enxugue lágrimas, cheire a nuca, cante, passe os dedos pelos cabelos e vá contornando até a voltinha da orelha. Carregue no colo, no sling, embale na cadeira de balanço. Não perca oportunidades de demonstrar o seu afeto.

E não pare nos primeiros meses.

Faça cafuné no de 2 e no de 8 também. Dê beijos estalados de bom dia. Encoste o seu menino no peito, a qualquer hora da tarde. Abaixe-se para que corram em direção ao seu sorriso.

Com o tempo, inevitavelmente, seu filho ganhará o mundo sem você. Não caberá nos seus braços. Não fará questão de contato físico. Não precisará enxergar a sua cabeça balançando, esperando pela confirmação de que ele está no caminho certo.

Eu te garanto que uma hora (e essa hora é sempre cedo demais), seu pequeno seguirá em frente sem precisar das suas mãos ou do seu olhar. Ele andará sozinho, com passos firmes. E será movido não por desespero, por falta de opção ou por necessidade. Não pela independência superficial que, muitas vezes, reveste inseguranças e lacunas, mas pela confiança.

Pela coragem. Pelo poder da conexão. Pela sensação de pertencimento. Pela força invisível dos abraços, dos beijos, da presença e das juras silenciosas que hoje, desafiando o mundo, vocês ousam trocar.

Autora: @rafaelacarvalhoescritora

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